Movimentando o Verbo Negro.
segunda-feira, 23 de junho de 2025
Racistas Fora da Advocacia: OAB Dá Passo Histórico e Resgata Legado de Luta de Advogados Negros e Negras Abolicionistas.
sexta-feira, 6 de junho de 2025
A Sentença de Léo Lins: Justiça para Além do Humor, um Olhar Crítico sobre o Sistema
quarta-feira, 4 de junho de 2025
Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais: Uma Construção Coletiva.
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
Saúde do homem, 365 dias de precaução.
A saúde do homem é um tema de grande importância, mas que muitas vezes é negligenciado em nossa sociedade. No Brasil, o Ministério da Saúde criou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) com o objetivo de promover a melhoria das condições de saúde da população masculina brasileira1. Apesar do aumento da expectativa de vida entre 2000 e 2018, os homens ainda vivem 7,1 anos a menos que as mulheres1. Além disso, os homens morrem mais do que as mulheres, na maioria das causas de óbitos, e em todas as faixas etárias até 80 anos1.
No entanto, falar sobre a saúde do homem pode ser um desafio em uma sociedade que ainda carrega preconceitos e estereótipos de gênero. Muitos homens evitam procurar atendimento médico por medo ou vergonha, e isso pode levar ao diagnóstico tardio de várias doenças2. Além disso, a falta de programas voltados especificamente para as demandas de saúde masculina é um obstáculo para a promoção da saúde do homem2.
Existem vários métodos para detectar doenças em homens. Por exemplo, o teste de PSA é usado para detectar o câncer de próstata3, enquanto exames de sangue podem ser usados para detectar doenças cardiovasculares e diabetes4. Além disso, exames oftalmológicos podem identificar doenças como glaucoma e catarata, bem como outras condições sistêmicas como diabetes e hipertensão5.
Quanto aos profissionais de saúde a serem procurados, os homens devem visitar regularmente um clínico geral para check-ups regulares. Além disso, a partir dos 50 anos, é recomendado que os homens visitem um cardiologista anualmente5. Outros profissionais importantes incluem o urologista, que trata de problemas do sistema urinário e reprodutivo masculino6, e o oftalmologista, que pode detectar problemas oculares comuns em homens mais velhos5.
Em conclusão, é crucial que os homens cuidem de sua saúde e busquem atendimento médico regularmente. A promoção da saúde do homem não deve ser limitada a um mês ou dia específico - é um exercício contínuo que deve ser praticado 365 dias por ano. Portanto, convido todos os leitores a cuidarem de sua saúde, debaterem sobre ela e incentivarem outros homens em suas vidas a fazerem o mesmo.
Jucelio Franco
Coordenador do Instituto Agontinmê
Coordenador do Coletivo Homens, falando de sua saúde.
terça-feira, 17 de outubro de 2023
OS CONFLITOS EM ÁFRICA E O SILÊNCIO GLOBAL.
A África é um continente marcado por uma longa história de colonização, exploração e violência. Apesar de muitos países terem conquistado sua independência política, a herança colonial ainda se reflete nas fronteiras artificiais, nas desigualdades socioeconômicas, nas disputas étnicas e religiosas e na dependência de potências externas. Esses fatores contribuem para a eclosão e a persistência de diversos conflitos armados na África, que causam milhares de mortes, deslocamentos, violações de direitos humanos e crises humanitárias.
Segundo o Conselho de Relações Exteriores, uma organização não governamental dos Estados Unidos, existem atualmente 35 conflitos ativos na África, envolvendo 35 países do continente. Alguns dos mais graves são:
- A guerra civil no Sudão do Sul, que começou em 2013 após um golpe fracassado contra o presidente Salva Kiir. O conflito opõe as forças leais a Kiir e os rebeldes liderados por seu ex-vice-presidente Riek Machar, que pertencem a grupos étnicos rivais. Apesar de vários acordos de paz, a violência continua, deixando mais de 400 mil mortos e cerca de 4 milhões de refugiados e deslocados internos.
- A guerra civil na Líbia, que teve início em 2011 após a queda do ditador Muammar Gaddafi. O país está dividido entre dois governos rivais: o Governo do Acordo Nacional (GAN), reconhecido pela ONU e apoiado pela Turquia e pelo Catar, e o Exército Nacional Líbio (ENL), liderado pelo general Khalifa Haftar e apoiado pela Rússia, Egito e Emirados Árabes Unidos. O conflito já causou mais de 25 mil mortes e cerca de 1,2 milhão de deslocados internos.
- A guerra civil na Etiópia, que eclodiu em 2020 após o primeiro-ministro Abiy Ahmed enviar tropas federais para a região do Tigré, no norte do país. A região é controlada pelo partido Frente de Libertação Popular do Tigré (FLPT), que se opõe às reformas políticas de Abiy. O conflito se internacionalizou com a intervenção da Eritreia, aliada do governo federal, e do Sudão, que acolhe os refugiados tigréanos. Estima-se que mais de 50 mil pessoas tenham morrido e cerca de 2 milhões tenham fugido de suas casas.
Esses são apenas alguns exemplos dos conflitos que assolam o continente africano e que muitas vezes são ignorados ou minimizados pela mídia global. A falta de cobertura jornalística sobre essas crises contribui para o silêncio e a indiferença da comunidade internacional, que raramente intervém para prevenir ou resolver os conflitos. Além disso, há interesses colonialistas por trás desse silêncio, pois muitos países ocidentais se beneficiam da instabilidade política e da exploração dos recursos naturais da África.
A ONU também tem sido criticada por sua ineficácia ou inação diante dos conflitos africanos. Apesar de ter várias missões de paz no continente, a ONU enfrenta dificuldades para garantir a segurança dos civis, proteger os direitos humanos, promover o diálogo político e facilitar a ajuda humanitária. Muitas vezes, as resoluções do Conselho de Segurança são bloqueadas ou desrespeitadas pelos países envolvidos nos conflitos ou por seus aliados.
Diante desse cenário, é urgente que os africanos do continente e da diáspora negra se mobilizem para denunciar as violências que sofrem seus irmãos e irmãs em diferentes partes da África. É preciso criar uma rede sistemática de comunicação para divulgar as realidades dos conflitos e sensibilizar a opinião pública mundial. É preciso também encontrar caminhos de solidariedade com os povos envolvidos em meio a essas guerras e conflitos, apoiando suas lutas por justiça, liberdade e dignidade. Convidamos todos os africanos e diasporanos a se engajarem nessa reflexão e ação.
Jucelio Franco
Coordenador do Instituto Agontinmê
Coordenador do Coletivo Homens, falando de sua saúde.
quarta-feira, 4 de outubro de 2023
CÂNCER DE MAMA EM HOMENS
O câncer de mama em homens é uma realidade que, embora menos comum do que em mulheres, merece atenção e conscientização. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os casos de câncer de mama em homens representam cerca de 1% do total12. Em 2020, foram registrados 207 óbitos de homens por câncer de mama no Brasil1.
A dificuldade e os tabus em torno do câncer de mama em homens muitas vezes estão relacionados à falta de informação e à percepção equivocada de que se trata exclusivamente de uma doença feminina. Isso pode levar a diagnósticos tardios e, consequentemente, a um tratamento mais complexo.
O autoexame é uma ferramenta importante para a detecção precoce do câncer de mama, tanto em mulheres quanto em homens34. Homens também devem realizar autoexames constantes da mama, idealmente a cada três meses5.
Quando se trata do diagnóstico do câncer de mama em homens, os mesmos exames realizados nas mulheres são geralmente aplicados: mamografia, ultrassom das mamas e ressonância magnética das mamas678. O diagnóstico é confirmado por meio da biópsia do nódulo e análise do patologista9.
O tratamento do câncer de mama masculino é similar ao feminino, baseando-se no uso isolado ou combinação dos seguintes métodos: cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia conforme o estadiamento10111213.
Acompanhamento médico regular é crucial para monitorar a progressão da doença e ajustar o tratamento conforme necessário. A equipe médica pode incluir especialistas como cirurgião, oncologista e radiooncologista, além de enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos11.
A divulgação e propagação da conscientização sobre o câncer de mama em homens são fundamentais para combater os tabus existentes e promover a detecção precoce. No Brasil, estima-se que sejam diagnosticados pelo menos 500 casos anuais de câncer de mama em homens14. Ainda assim, muitos homens não estão cientes do risco.Por fim, é importante lembrar que os homens também são convidados a participar do Outubro Rosa15, uma campanha anual destinada a aumentar a conscientização sobre o câncer de mama. A participação dos homens pode assumir muitas formas, desde usar uma peça rosa ou um laço rosa no peito até conversar com as mulheres mais próximas sobre a importância da detecção precoce.
Portanto, vamos juntos nessa luta contra o câncer de mama. Homens também podem ser afetados e têm um papel importante na conscientização sobre essa doença.
terça-feira, 3 de outubro de 2023
MULHERES NEGRAS, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DO CÂNCER DE MAMA.
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
A intolerância religiosa contra os povos tradicionais de terreiros de matrizes africanas no Brasil
A intolerância religiosa contra os povos tradicionais de terreiros de matriz africana no Brasil é uma questão preocupante e persistente. Essas religiões, que incluem o candomblé e a umbanda, são parte da diversidade religiosa do Brasil e têm uma forte ligação com a cultura africana1. No entanto, apesar de sua rica história e contribuição para a sociedade brasileira, essas comunidades enfrentam frequentemente atos de violência e discriminação.
Um exemplo recente ocorreu em São Luís, Maranhão, onde membros do Terreiro de Mina do pai de santo, Nery da Oxum, registraram um boletim de ocorrência contra um grupo de evangélicos suspeitos de praticar intolerância religiosa2. O grupo se posicionou em frente ao terreiro com um carro de som proferindo palavras ofensivas contra os integrantes da casa2. Este é apenas um dos muitos incidentes que destacam a hostilidade enfrentada por essas comunidades.
Além disso, quase metade dos terreiros do país registrou até cinco ataques nos últimos dois anos3. Esses ataques não se limitam aos terreiros, mas também ocorrem quando uma pessoa é identificada como adepta de alguma religião de matriz africana na rua, na escola, no comércio, numa repartição pública ou até quando vai pedir ajuda numa delegacia para denunciar este tipo de preconceito3.
Esses incidentes são uma clara violação dos direitos humanos e da liberdade religiosa. É crucial que haja uma maior conscientização sobre essas questões e que sejam tomadas medidas para proteger essas comunidades e garantir que elas possam praticar suas crenças livremente. A luta contra a intolerância religiosa é uma responsabilidade coletiva e requer o compromisso de todos nós.
Jucelio Franco.
Coordenador do Instituto Agontinmê e do Coletivo Homem, Falando de Sua Saúde.
quarta-feira, 6 de setembro de 2023
Saúde mental da população negra no Brasil.
sábado, 2 de setembro de 2023
A SAÚDE DO HOMEM NEGRO BRASILEIRO.
A saúde do homem negro brasileiro em um país marcado pelo racismo estrutural é um tema complexo e urgente que merece toda a nossa atenção. De acordo com dados do IBGE, os negros representam a maioria da população brasileira, sendo 56% do total, porém, enfrentam inúmeras desigualdades sociais, econômicas e, principalmente, na área da saúde.
Desde os tempos da escravidão, o homem negro no Brasil foi submetido a condições degradantes, trabalho exaustivo e violência constante. Essa realidade histórica deixou marcas profundas na saúde dessa população, que até os dias atuais enfrenta altos índices de morte precoce, doenças crônicas e agravamento de problemas de saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS) deveria ser a principal porta de acesso à saúde para todos os brasileiros, no entanto, evidências mostram que as políticas de saúde não contemplam as necessidades específicas do homem negro. Pesquisas revelam que eles têm menor expectativa de vida, maior índice de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e câncer, em comparação com outros grupos étnicos.
Outro grave problema enfrentado pelo homem negro é a violência. Dados do Atlas da Violência mostram que a taxa de homicídios entre jovens negros é muito superior à de jovens brancos. Essa violência também afeta diretamente a saúde mental, resultando em traumas, ansiedade e depressão.
Diante dessa realidade, questionamos o descaso e a falta de políticas públicas efetivas voltadas para a saúde do homem negro. É inadmissível que em um país que se denomina democrático, ainda existam tantas desigualdades raciais na área da saúde.
Como
afirmou o geógrafo Nilton Santos, "Onde há racismo, não há
democracia". Precisamos urgentemente desconstruir esse sistema estrutural
de racismo e garantir o direito à saúde de todos os brasileiros, incluindo o
homem negro. É fundamental que sejam desenvolvidas políticas públicas e ações
afirmativas que levem em consideração as particularidades dessa população,
promovendo acesso igualitário aos serviços de saúde e garantindo uma vida digna
para todos.
Jucelio
Franco
Coordenador
do Instituto Agontinmê
e
Coordenador Estadual do Coletivo Homem Falando de Sua Saúde
terça-feira, 29 de novembro de 2022
Benedita da Silva denuncia ter sido vítima de agressões racistas e xingamentos no aeroporto de Brasília.
A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) foi ao Plenário da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (29) denunciar um caso de violência política e insultos racistas feitos contra ela na quinta-feira (24) em um guichê do aeroporto de Brasília.
“Na quinta-feira, eu fui hostilizada no aeroporto. Nesses 80 anos da minha vida, eu nunca vi ninguém ousar tanto com uma frase que eu nem quero repetir aqui! Foi uma coisa violenta, e todos ficaram pasmos de ver!”, afirmou a deputada, que também condenou ataques sofridos recentemente pelo artista Gilberto Gil no Catar.
O agressor, segundo ela, estava acompanhado da mulher e dos filhos enquanto proferia insultos. “Eu, no guichê, não fazia nada ali a não ser ver a passagem para a troca do meu voo, e ele saiu de onde estava, acompanhado de mulher e filhos, e teve a coragem de me maltratar verbalmente, querendo que eu ficasse ali humilhada. Mas eu fiquei de cabeça erguida, porque eu não sou uma pessoa odiosa”, disse.
Discursos em Plenário
O deputado Charles Fernandes (PSD-BA), que presidia a sessão durante o pronunciamento de Benedita da Silva, afirmou que a Casa lamenta e repudia qualquer tipo de ação de violência contra parlamentares. “Os parlamentares foram eleitos de forma democrática e aqui representam os seus estados, representam o seu povo. Nós queremos que todos tenham respeito”, disse.
A parlamentar recebeu solidariedade de colegas de vários partidos. O deputado Luiz Lima (PL-RJ), defensor do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que as divergências políticas sempre foram tratadas com respeito.
“Eu repudio qualquer ação que venha contra uma senhora que há muito tempo está na vida política. Repito, mesmo tendo divergências políticas, sua excelência tem qualidades. Ela é uma mãe, ela é uma avó, ela é uma bisavó”, disse.
O deputado Vicentinho (PT-SP) também defendeu a deputada Benedita da Silva, a quem se referiu como “minha irmã”. “Benê, você é nossa companheira de todas as horas. Você é uma imagem que dá tanto orgulho para o Brasil que, ao ser atingida, também nos sentimos atingidos. Você mesma é daquelas que diz que não devemos soltar a mão de ninguém. Agora nós estamos de mãos juntas, muito solidários”, declarou.
Com Agência Câmara
por alan.alex@painelpolitico.com29 de novembro de 2022.
Fonte:
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Livro narra perseguição da ditadura a Tony Tornado: ‘importou o gesto-símbolo do poder negro’
O livro “Dançando na mira da ditadura: bailes soul e violência contra a população negra nos anos 1970” vai mostrar como a juventude negra foi alvo de violações durante o regime militar. A obra foi escrita por Lucas Pedretti, o historiador que encontrou o dossiê usado para prender Caetano Veloso, ponto de partida do filme “Narciso em férias”.
Entre diversos documentos e situações, Pedretti narra como Tony Tornado foi alvo do Centro de Informações do Exército durante o 5º Festival Internacional da Canção, em 1970. No documento intitulado “Flávio Cavalcanti, Tony Tornado e Danuza Leão tentam suscitar o problema da discriminação racial no Brasil”, os militares relatam que Tony importou o “gesto-símbolo do ‘poder negro’ (comunista)”.
O relatório revela que “toda máquina policial se movimentou nos bastidores do Maracanãzinho para impedir os gestos de caráter político do cantor” — ou seja, a saudação à moda dos Panteras Negras.
O livro, que será editado neste ano pelo Arquivo Nacional, também descreve como o Exército monitorou outros artistas negros.
Áudio da Matéria:
Vitima de atentado a bala, líder do movimento Black Lives Matter , conhecida como a "Pantera Negra de Oxford", está em estado grave.
(Foto: Getty)
Áudio de Matéria no final da pagina.
Organização de Sasha Johnson, o Taking The Initiative Party, revelou que inglesa recebeu inúmeras ameaças de morte.
O partido Taking the Initiative revelou que Sasha Johnson, uma das principais ativistas do movimento Black Lives Matter no Reino Unido e que ficou conhecida como a Pantera Negra de Ofxord, está internada em estado grave na UTI depois de ser "brutalmente atacada" na madrugada de domingo. O grupo alega que o ataque, ocorrido em Southwark, no sul de Londres, ocorreu após "inúmeras ameaças de morte".
Sasha foi baleada na cabeça na madrugada de domingo perto de uma festa em Londres, quando estava ao lado de alguns de seus apoiadores, que insistem que o atentado foi "o resultado de seu ativismo". No entanto, a Polícia Metropolitana insiste que não há nada que sugira que tenha sido um ataque direcionado ou que a vítima tenha recebido ameaças confiáveis contra ela antes do tiroteio, por volta das três da manhã de ontem.
Os policiais disseram que a mulher foi levada a um hospital no sul de Londres com ferimentos fatais e abordaram testemunhas atrás de depoimentos para descobrir quem teria efetuado o disparo. Detetives do Comando de Especialistas em Crimes do Met estão conduzindo investigações no local e na área ao redor e estão abordando diferentes linhas de investigação.
Em depoimento, um representante da polícia afirmou: "Este foi um incidente chocante que deixou uma jovem com ferimentos muito graves. Nossos pensamentos estão com sua família, que está recebendo apoio neste momento terrivelmente difícil". "Se você viu algo suspeito na área da Consort Road nas primeiras horas da manhã de domingo ou se ouviu informações que desde então poderiam ajudar os detetives, é fundamental que você entre em contato", continuou o investigador.
Sasha, mãe de dois filhos e formada pela Oxford Brookes University, tem sido uma figura importante no movimento Black Lives Matter no Reino Unido e é membro do comitê de liderança do Taking the Initiative Party. Em comunicado oficial, a organização escreveu: "Sasha sempre lutou ativamente pelos negros e pelas injustiças que cercam a comunidade negra, além de ser membro do BLM e do Comitê de Liderança Executiva do Taking the Initiative Party. Sasha também é mãe de dois filhos e uma voz forte e poderosa para nosso povo e nossa comunidade. Vamos todos nos reunir e orar por Sasha, orar por sua recuperação e mostrar nosso apoio a sua família e entes queridos".
Áudio de Matéria:
terça-feira, 18 de maio de 2021
QUATRO MENINAS BRASILEIRAS ESTUPRADAS POR HORA. UM CRIME GENERALIZADO E SILENCIADO
Geralmente são notícias
curtas na imprensa local. “Um homem e uma mulher foram presos pelo estupro de
uma menina de 13 anos. O delegado explica que o homem, casado com uma tia da
vítima, a estuprou durante seis anos. Os fatos eram do conhecimento da mãe e da
avó”. As prisões aconteceram na quarta-feira, 5 de maio, em Pinheiros, cidade
de 77.000 habitantes no Norte do Brasil. Nem a idade da vítima nem as circunstâncias
são algo excepcional. Informação anódina que narra crimes cotidianos. As estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) são chocantes. A
cada hora, quatro meninas menores de 13 anos são estupradas no Brasil, de
acordo com os números mais recentes. Mais da metade das 5.636 vítimas em 2019
tinha menos de 13 anos.
E isto é apenas a ponta
do iceberg, pois considera apenas o que chega aos ouvidos da polícia ou dos
serviços de saúde. “A violência sexual contra crianças está envolvida por um
pacto de silêncio”, enfatiza Márcia Bonifácio, chefe de uma equipe de
psicólogos e psicopedagogos da Prefeitura Municipal de São Paulo que apoia as
escolas quando surge um aluno problemático. Seu comportamento muitas vezes
esconde que é vítima de violência sexual ou de algum outro tipo.
Três brasileiras, a
educadora Bonifácio, a promotora Renata Rivitti e a diretora do Instituto Liberta,
Luciana Temer, usam sua vasta experiência para ajudar a entender os contornos
desse crime tão arraigado nesta cultura patriarcal e machista repleta de tabus
que, ao mesmo tempo, promove a sexualização precoce. “É um círculo muito
perverso com poucos finais felizes”, diz Bonifácio.
A vítima pode ser uma
menina de quatro anos que se masturba quatro vezes ao dia na aula, uma garota
de 10 anos que começa a mostrar a figura de uma mulher grávida, um menino de
sete anos que obriga seus colegas a fazer sexo oral, uma adolescente aplicada e
retraída que aparece com um olho roxo e oferece explicações pouco credíveis...
As vítimas não seguem um padrão. Os agressores sim: “Não tenho notícias de
nenhum caso em que a agressão tenha sido perpetrada por um estranho”, diz
Bonifácio. Geralmente pertence ao entorno familiar. O pai, o padrasto, irmãos
mais velhos, tios, avós, amigos da família...
Aqueles que combatem a
violência sexual contra as crianças insistem em como ela é democrática. No muito desigual Brasil, não diferencia raças ou classe social. A Unicef estima
que 120 milhões de mulheres tiveram um contato sexual indesejado antes dos 20
anos.
O Código Penal Brasileiro considera estupro de pessoa vulnerável manter relações carnais ou
praticar qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos. As agressões podem
começar muito cedo e durar muitos anos. Não é rara a cumplicidade da mãe ou de
outros parentes, nem que a vítima seja responsabilizada por destruir a família
ou deixá-la sem amparo quando o agressor é quem traz o dinheiro para casa.
Costuma ser um processo in crescendo, no qual os abusos são cada vez mais
invasivos, mas sutis. Muitas vezes não deixam marcas.
Márcia Andrea Bonifácio lidera uma equipe de apoio às escolas que detectam casos de violência sexual. LELA BELTRÃO
“Quando têm entre zero e seis anos, as vítimas têm pouco repertório, podem até perceber isso como uma brincadeira, como uma demonstração de carinho, sentem prazer, não têm parâmetros e é muito comum o agressor exigir que guardem o segredo”, explica a promotora Rivitti. Elas são pequenas demais para distinguir o que é certo e o que não é. Uma dificuldade que não depende apenas da idade. Bonifácio, cuja equipe se chama Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem, lembra o caso de uma adolescente de 13 anos de uma família evangélica que descobriu em uma aula de ciências que aquilo que o pai fazia com ela desde que com oito menstruou pela primeira vez era sexo. Aquela garota não tinha televisão, celular ou internet. Por isso, diz a promotora, as aulas de educação sexual são tão importantes.
Os casos mais graves vêm à tona em um hospital
Detectar o abuso é o primeiro passo. Quando são pequenos, geralmente se descobre pelo comportamento
na escola. Se forem mais velhos, contam a alguém de confiança. Os casos mais
graves vêm à tona em um hospital.
Descobrir o abuso não é
fácil, proteger a vítima sem minimizá-la, tampouco. E perseguir o crime, menos
ainda. A promotora Rivitti afirma que levar a vítima para um abrigo deve ser o
último recurso. Grande é o risco do que chamam de violência institucional. Se
depois de peregrinar por diferentes serviços para repetir seu primeiro relato
perante o conselho tutelar, a polícia, o hospital, submetendo-se a uma
avalanche de perguntas e um minucioso exame pericial, a menina acaba longe de
seus parentes, de seu bairro, de sua escola e de seus amigos, ela se culpa. Diz
‘minha boca está amaldiçoada, eu falei e me castigaram’.” Algumas se desmentem
porque o preço que pagam por revelar o abuso não lhes compensa.
“Temos que dar
informações às vítimas para que entendam o que é o abuso, para que saibam
relatá-lo e temos que dar crédito ao que dizem”, insiste a promotora Rivitti.
Isso é um começo. Depois tentam identificar um membro da família para proteger
a menina em casa e afastar o estuprador. Se ele é fonte de renda, tentam buscar
ajuda financeira.
E a punição aos
agressores? Conseguir um caso suficientemente sólido para ser levado ao juiz é
outra grande dificuldade. Geralmente é a palavra da criança contra o adulto. O
pior pesadelo de quem combate o estupro infantil é que o tribunal absolva o
acusado. “Não podemos entregar o cordeiro ao lobo com aval judicial”, alerta a
promotora.
Apesar da complexidade
do desafio, cada uma das três lutas em uma frente para que na próxima hora
quatro brasileiras menores de 13 anos não sejam estupradas. Temer o faz à frente
do Instituto Liberta, com documentários como Um crime entre nós, com o qual
busca sensibilizar, romper “o círculo perverso da normalização do abuso”. Entre
os recrutados para a missão, um dos homens mais famosos do Brasil, o
apresentador da Rede Globo Luciano Huck, cujo nome é citado como candidato à
presidência.
A promotora Rivitti
tenta replicar no Estado de São Paulo o modelo que criou em Jacareí, cidade de
235.000 habitantes do interior, onde através da coordenação dos serviços
educacionais, sociais e de saúde conseguiu proteger melhor as vítimas, o que
levou a mais denúncias, menores testemunhas em julgamentos e mais condenações.
Ela trabalha com uma rede de 70 outros promotores.
Com as escolas fechadas
durante meses devido à pandemia, a equipe liderada por Bonifácio abriu novos
canais para os alunos lançarem um SOS. Criou um site que canalizou as denúncias
de 200 casos de violência em nove meses. Destes, 56 eram de violência sexual.
Áudio Reportagem:
segunda-feira, 17 de maio de 2021
CAMPANHA DO GELEDÉS, INSTITUTO DA MULHER NEGRA, PROPÕE O DEBATE SOBRE RACISMO E BULLYING
Em conversa com o Papo de Mãe, a coordenadora do programa "Racismo e Bullying", Natália Carneiro, nos conta sobre a série no Instagram.
Lançada na última
sexta-feira (07), a série tem três episódios em formato de ilustração sobre
Guta, uma menina negra de 13 anos que sonha em ser cineasta. “A gente queria
trabalhar com uma menina livre, que gostasse de si mesma e muito bem resolvida
com as questões raciais dela, para poder passar isso para outras meninas. Que
representasse todas as meninas negras dentro dessa faixa etária a partir dos 13
anos de idade”, diz Natália Carneiro, 29, coordenadora do Programa Institucional de Geledés.
O projeto teve início no
final de 2019, em um longo processo para entender quais eram as necessidades da
pauta dos direitos das jovens negras, tendo um enfoque na evasão escolar e no
diálogo sobre o bullying. “Muitas vezes o racismo é tido como bullying, e a
gente precisa diferenciar o que é racismo e o que é bullying, como afeta a
criança negra de maneiras e perspectivas diferentes”, observa a coordenadora.
Segundo o Observatório
da Educação, existe uma idade crítica para a evasão escolar no Brasil. No
ensino fundamental, com mais ou menos 13 anos de idade, a proporção de jovens
na escola chega a 97%. Essa proporção cai quando se trata de jovens de 16, 17 e
18 anos. O último levantamento feito pelo IBGE traz números alarmantes: das 50
milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, 20% delas não tinham
terminado alguma etapa da educação básica.
Natália conta que apesar de recente, o projeto tem sido procurado por muitos educadores que entendem a importância do tema dentro da sala de aula: “Inicialmente achamos que o projeto ficaria somente no âmbito da internet, mas logo no lançamento do teaser (chamada), vários professores nos enviaram mensagens perguntando como aplicar aquilo em sala de aula”. A importância dessa ponte entre quem está consumindo o Instagram e a faixa etária para quem a Guta pode conversar é enorme, já que o Instagram só permite perfis a partir da idade mínima de 13 anos.
Ao término da série, ela
ficará disponível no Portal Geledés como material para quem quiser utilizar.
Ficou interessado? O
primeiro episódio já está no ar, confira no Instagram do Geledés.
sábado, 15 de maio de 2021
ESTADOS NÃO SABEM RAÇA DE MAIS DE 1/3 DOS MORTOS PELA POLÍCIA EM 2020; DADOS DISPONÍVEIS MOSTRAM QUE 78% DAS VÍTIMAS SÃO NEGRAS
Reportagem Também em Áudio no fim da pagina.
Onze estados não fornecem as informações das vítimas das duas polícias. Mesmo entre os que coletam os números, há vários casos de ‘raça não informada’. Dados divulgados revelam que quase 4 em cada 5 mortos são negros.
Os estados brasileiros não sabem ou não informam a raça de mais de 1/3 das pessoas mortas pela polícia em 2020. Ao menos 11 unidades da federação não passam nenhum tipo de informação sobre a raça/cor da pele das vítimas das duas corporações (polícias Militar e Civil). Mesmo entre os que coletam e disponibilizam os dados, há vários casos de “raça não informada”.
Considerando apenas os
casos em que a raça é divulgada, os números revelam que 78% dos mortos pelas
polícias são negros.
É o que mostra um
levantamento exclusivo feito pelo G1 dentro do Monitor da Violência, uma
parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da
Violência da USP.
LEVANTAMENTO NACIONAL: Número de policiais mortos cresce em 2020; o de pessoas mortas em confrontos tem ligeira queda
PÁGINA ESPECIAL: Mapa mostra mortes por policiais no país
ANÁLISE DO FBSP E DO
NEV-USP: Polícias (in)controláveis
INICIATIVA: Grupo de ativistas combate impunidade em casos de violência policial na periferia
METODOLOGIA: Monitor da Violência
Os pedidos foram feitos para as secretarias da Segurança Pública dos estados (e diretamente para as corporações em alguns casos) por meio da Lei de Acesso à Informação e das assessorias de imprensa. Foram solicitados os casos de “confrontos com civis ou lesões não naturais com intencionalidade” envolvendo policiais na ativa.
Com exceção de Goiás, que não divulga nenhuma informação, todos os estados informam a quantidade de
pessoas mortas pela polícia: 5.660, uma ligeira queda (-3%) em relação a 2019.
Dez estados, porém, não
divulgam as mortes em confronto policial por raça, informação que também foi solicitada
pelo G1. Assim, com Goiás, são 11 os estados que não divulgam as informações
raciais de forma completa (de ambas as polícias). Eram 12 no último
levantamento, referente ao primeiro semestre do ano passado.
O levantamento mostra
que:
a raça de 2.064 das
5.660 pessoas mortas pela polícia em 2020 não é conhecida, ou seja, 36% do
total
11 estados não divulgam
os dados de raça das vítimas de ambas as polícias
das 3.596 vítimas para
as quais há a informação da raça, 2.815 são negras (78%)
Acre e Roraima são os
únicos estados que informam a raça de todas as vítimas mortas no ano
mesmo entre os estados
que coletam os dados, 1.013 vítimas aparecem como raça “não informada” ou
“desconhecida”
Falta de transparência
Para Felipe Freitas,
pesquisador do Grupo de Pesquisa em Criminologia da Universidade Estadual de
Feira de Santana, a falta de informações impede a construção de políticas
públicas democráticas na área da segurança.
“Nas áreas da saúde e da educação, por exemplo, só foi possível avançar em uma agenda de enfrentamento ao racismo à medida em que se qualificaram os instrumentos de registro das informações, que permitiram identificar a desigualdade racial”, compara.
Além da não divulgação
dos dados, a falta de padronização chama a atenção. Há casos em que “albino”
foi considerado uma raça, por exemplo, sendo que o albinismo é uma doença, e
não uma categoria racial.
A referência é a
classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que
trabalha com as seguintes opções: branca, preta, parda, indígena ou amarela. Os
pardos e pretos compõem os negros.
Para superar essas
dificuldades, Freitas aponta que um dos caminhos é treinar as equipes da área
da segurança pública para perguntar e preencher a informação sobre sobre
raça/cor, assim como ocorreu nos serviços públicos de saúde.
“A área da saúde passou quase dez anos investindo em formação para que eles aprendessem a, no atendimento da atenção básica, perguntar qual a raça/cor dos pacientes. É preciso desenvolver o processo de formação, corrigir os sistemas para não permitir que se avance sem preencher essa informação e retirar as categorias ignorado ou ‘não quis declarar’, que criam uma limitação estatística gigantesca”, exemplifica.
Não houve nenhum caso
enquadrado como “indígena”, por exemplo, no levantamento do G1. Isso não quer
dizer que nenhuma pessoa indígena foi, de fato, morta pela polícia. Como não
existe uma padronização oficial de preenchimento, elas podem ter sido
categorizadas como pardas ou podem constar da categoria “não informado”.
Por que a polícia mata
mais negros?
Para Felipe Feitas, o
racismo estrutural explica por que a polícia mata mais pessoas pretas e pardas.
“O peso das representações negativas e dos estereótipos em relação às pessoas
negras produz socialmente essa autorização para matá-las”, afirma.
No entanto, há questões técnicas, relacionadas à dinâmica entre a polícia e o Judiciário, que influenciam essa seletividade, diz.
Negros são 78% dos mortos pelas polícias no Brasil em 2020. — Foto: Elcio Horiuchi/G1“O modelo de policiamento brasileiro é ostensivo, de grandes operações e de flagrante. E a atuação do policial na rua é muito influenciada pelas práticas discriminatórias que estão presentes na sociedade. Assim, há um alto grau de discricionariedade no contato com a população. E o Judiciário é muito frágil em estabelecer balizas para a ação policial”, explica Freitas.
A diretora da Anistia Internacional, Jurema Werneck, também aponta a responsabilidade do Judiciário e do Executivo, principalmente dos governadores, nos assassinatos de negros cometidos pelos agentes de estado.
“Não é só matar, é deixar matar. O racismo na administração do estado também está contribuindo para esse quadro”, afirma Jurema. “E esconder informação é uma estratégia para continuar permitindo essa violação profunda dos direitos humanos das pessoas negras no Brasil."
Como parte da solução,
Felipe Freitas aponta que, mais do que focar nas polícias, a sociedade civil
precisa pressionar outras instâncias de poder – o Ministério Público, por
exemplo, tem a função constitucional de controle externo das polícias.
“E não só para pensar se
o policial que age abusivamente está sendo punido ou não, mas que não se valide
o produto da ação policial que não é produzida legalmente. Isso é uma forma de
estimular uma conduta policial dentro da legalidade e, ao mesmo tempo, reprimir
a ação policial fora da legalidade”, diz Freitas.
Morte de George Floyd
Discussões sobre racismo
e raça ganharam destaque em todo o mundo capitaneadas principalmente pela onda
de protestos que tomou os Estados Unidos após a morte do ex-segurança negro
George Floyd por um policial em Minneapolis em 25 de maio do ano passado.
O americano morreu asfixiado após ter o pescoço prensado pelo joelho do policial Derek Chauvin por 8 minutos e 46 segundos. Um vídeo que mostra o momento da sua morte circulou pela internet, aumentando a visibilidade do caso e gerando indignação. Nos dias seguintes, diversas cidades do país registraram protestos por conta da violência policial cometida contra a população negra. Os atos ganharam o mundo e ocorreram também no Brasil.
Chauvin foi expulso da
polícia. Nesta terça (20), ele foi considerado culpado em todas as três acusações de homicídio.
Justificativas dos
estados para a falta de dados
Os estados que não
divulgam as informações de raça têm explicações distintas para a falta de
transparência.
No Amazonas, por
exemplo, a Secretaria da Segurança Pública diz apenas que “os dados não são
coletados com esse detalhamento”.
Já em Minas Gerais, o
governo diz que “para elaboração dos dados são necessários trabalhos laboriosos
de análise, consolidação e tratamento” e, por isso, não tem condição de passar
as informações referentes à Polícia Militar.
No Pará, a justificativa
é que “a grande maioria [dos dados] não foi informada no momento do
preenchimento do boletim de ocorrência”. O estado, porém, não diz a raça de
nenhuma das vítimas.
O Núcleo de Análise
Criminal e Estatística da Secretaria da Segurança da Paraíba, por sua vez, diz
que, do mesmo modo como é feito pelo IBGE, o método de captação do dado de
raça/cor é a “auto declaração”. “Porém, como isso não é possível para as pessoas
mortas, na verificação estatística deste quesito utiliza-se o registro da
classificação inserida na Declaração de Óbito que compõe o Sistema de
Informação de Mortalidade do Datasus.”
“Esse é o documento
oficial, muito mais seguro e apropriado do que uma informação de um parente ou
de um policial que visualiza o corpo. Em razão disso, como se utiliza outra
fonte de dados para a verificação do quesito raça/cor, não é possível
desagregar esta variável para as outras classificações do banco de informações
oriundas das polícias utilizado pelo núcleo, a exemplo dos inquéritos
policiais, de onde vêm as informações para classificar o CVLI como feminicídio,
latrocínio, confronto policial, entre outros”, diz a secretaria.
Áudio.








